Neste período em que a maioria dos produtores reclama de quebra na produção agrícola e pecuária, uma produtora de leite comemora o aumento significativo na produção a partir de um projeto de irrigação que começou a funcionar no ano passado. Mesmo que esteja preocupada também com a falta de chuvas que deixa campos e gramados secos, a produtora Ana Maria Aquino Nunes, com propriedade na localidade de Durasnal, a cerca de 40 quilômetros de São Borja, próximo à BR 287, destaca o crescimento de sua atividade graças a um projeto que agora é considerado modelo na região.
Com o mesmo número de vacas em lactação, a produtora Ana Maria produz agora 1.150 litros de leite/dia contra os 715 litros/dia produzidos em novembro passado. Ele credita este crescimento de 465 litros/dia em tão pouco tempo a um projeto que inclui um açude, um sistema de irrigação de pastagens por aspersores, o manejo dos animais através de piquetes e o controle rigoroso da sanidade do plantel e da evolução na produção de cada animal. A propriedade possui 99,5 hectares, sendo que oito deles foram divididos em 12 piquetes onde são cultivadas pastagens irrigadas especialmente o sorgo e o tifton. As vacas ainda são remanejadas também com o campo nativo. Os investimentos na propriedade passaram dos R$ 80 mil no ano passado, somando gastos com o açude, redes de energia elétrica e de água e outros equipamentos. A produtora ainda conta com ordenhadeira elétrica, resfriador de leite com capacidade para 2 mil litros e poço artesiano equipado. O plantel da raça holandesa é de 66 vacas na propriedade, sendo que 30 delas estão em lactação neste momento. Em 2011, foram produzidos 167 mil litros de leite, mas com o novo projeto a perspectiva é um aumento significativo este ano.
PROJETO DO AÇUDE
Ana Maria lembra que o projeto do açude foi feito pelos técnicos da Emater e teve financiamento de R$ 24 mil do governo do Estado. Já a contrapartida dela foi de R$ 6 mil, mas garante que valeu a pena, pois hoje, graças a ele, está produzindo bem mais leite, mesmo diante de forte seca. O produto é entregue atualmente à empresa Brasil Foods que faz pagamentos a cada 15 dias.
A produtora não fez cálculos de quando terá o retorno de todo seu investimento, no entanto, diz estar contente com a produção e o preço do leite que está atualmente em cerca de R$ 0,76 por litro ao produtor. Ela trabalha na propriedade com apenas um empregado e mais o esposo Jorge.
EMATER DESTACA EXEMPLO
O técnico agrícola da Emater, Clóvis Roberto Schwengber, que levou a reportagem da FSB até a propriedade, destaca que o projeto de Ana Maria Nunes é considerado um exemplo neste momento de seca. Schwengber destaca “que grande parte das propriedades rurais de São Borja pode adotar sistemas semelhantes e evitar prejuízos em épocas comuns de seca na região”. Ressalta que há necessidade, primeiramente, de estudos sobre a propriedade para se saber da viabilidade econômica de projetos de açudes e de irrigação.
O chefe do escritório da Emater, Odacir Decol, diz que a propriedade de Ana Maria tem sido visitada por produtores de leite da região que desejam aumentar a produção. Vários projetos de açudes já foram executados no município, mas em raros deles foram implementados sistemas de irrigação de lavouras ou pastagens.
Foto: Clóvis e Ana Maria junto ao piquete de pastagens irrigadas

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